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Nesta terça-feira, 7 de abril, o município de Ubatã alcança uma marca histórica de profunda relevância para sua identidade cívica: os 71 anos de instalação de sua Câmara Municipal. Mais do que uma data no calendário, este aniversário remete ao momento em que, em 1955, o Poder Legislativo local iniciou oficialmente suas atividades, consolidando a organização institucional da cidade poucos anos após sua emancipação política.
A trajetória legal da Casa teve início em 4 de abril de 1955, por meio do Decreto nº 23, assinado por Arnaldo Azevedo, que à época exercia a função de Gestor de Negócios Municipais, nomeado pelo então governador da Bahia, Régis Pacheco. Apenas três dias depois, em 7 de abril, tomaram posse os oito primeiros vereadores eleitos, sendo instalada a 1ª Legislatura do município e empossado o primeiro prefeito eleito de Ubatã, Sandoval Fernandes Alcântara.
A composição pioneira do Legislativo ubatense era formada pelos vereadores Osmar Fernandes de Oliveira (PDC), Leônidas Pereira de Oliveira (PDC), Josias Zaga de Souza (PSP), Mário Tavares Sobrinho (PDC), Everaldo Oliveira de Azevedo (PSP), Milton Faustino dos Santos (PDC), Hamilton Fernandes Motta (PSP) e Antônio Muniz Ramos (UDN) — este último, o único representante da oposição naquele período. A presidência da Câmara, no primeiro biênio (1955–1957), coube a Osmar Fernandes de Oliveira, enquanto no segundo biênio (1957–1959) a condução dos trabalhos legislativos ficou sob a responsabilidade de Hamilton Fernandes Motta.
O processo eleitoral que deu origem à primeira legislatura ocorreu em 3 de outubro de 1954 e mobilizou 2.132 eleitores, resultando em 1.748 votos válidos. Entre os 33 candidatos que disputaram as oito vagas, destacou-se a Coligação Bahiana, formada por PSP e PDC, que conquistou 87,5% das cadeiras do Legislativo. Entre os nomes mais expressivos daquele pleito esteve Leônidas Pereira de Oliveira, conhecido como “Dentista Nidinho”, que obteve a maior votação, com 455 votos. A relação de candidatos daquele período também reuniu figuras históricas da região, como Nelson da Rocha Guimarães, Alberto Rocha e Silva, José Magalhães, entre outros que ajudaram a pavimentar os primeiros caminhos da vida política ubatense.
Outro aspecto que evidencia o papel central da Câmara na sustentação administrativa do município foi a atuação interina de seus presidentes no comando do Executivo. Osmar Fernandes de Oliveira e Hamilton Fernandes Motta chegaram a assumir, em momentos de ausência do prefeito titular Sandoval Alcântara, a chefia do Poder Executivo municipal. Posteriormente, ambos também viriam a se tornar, respectivamente, o segundo e o terceiro prefeitos de Ubatã.
Sete décadas depois, a Câmara de Vereadores mantém sua sede no mesmo endereço de sua fundação, constituindo-se em símbolo de resistência, permanência e continuidade institucional, apesar das diversas reformas realizadas ao longo do tempo. Atualmente, em sua 18ª Legislatura, o Parlamento municipal é composto pelos vereadores Gabriel de Assumpção Nascif (presidente), Juliano Silva de Oliveira (vice-presidente), Márcio Oliveira Santos (1º secretário), Roberto Miranda de Carvalho (2º secretário), além de Carlos Renan Silva de Souza, Davidson Gomes Muniz, Diêgo Magalhães Tavares, Erisvaldo Alexandrino dos Santos, Ítalo Bispo de Brito, Manoel Bonfim Batista de Souza e Paulo César Silva e Silva.
Ao completar 71 anos, a Câmara de Ubatã tem na sua missão principal a representação popular, de debate democrático e de preservação da memória política de todos os ubatenses.
Wesley Faustino é pesquisador, historiador, escritor, especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental, e ex-vice-prefeito de Ubatã.

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