03 março 2026

Artistas com cachês acima de R$ 700 mil podem ficar fora do São João de cidades da Bahia

Uma campanha lançada pela União dos Municípios da Bahia (UPB) prevê que as prefeituras baianas não contratem artistas que tenham cachês acima de R$ 700 mil no São João deste ano. Intitulada de ‘São João sem milhão’, a inciativa tem como objetivo preservar a cultura dos festejos juninos sem comprometer a saúde financeira das cidades.

“A mobilização ultrapassou as fronteiras da Bahia e já recebeu o apoio das associações municipalistas dos nove estados do Nordeste, que pretendem adotar medidas semelhantes. A expectativa é que a iniciativa também fortaleça o tradicional forró pé de serra e amplie o espaço para artistas locais, valorizando a cultura regional com preços mais acessíveis”, afirma a União dos Municípios da Bahia, em nota.

Na segunda-feira (2), o Ministério Público do Estado da Bahia, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) assinaram uma nota técnica conjunta com diretrizes para orientar as prefeituras nos processos de contratação. O documento estipula em R$ 700 mil a faixa de atenção especial aos gestores. Segundo o MP, apenas 1% dos contratos firmados em 2025 ultrapassou esse valor.

A nota técnica recomenda que a pesquisa de preços utilize como referência a média dos cachês pagos ao artista no período de 1º de maio a 31 de julho de 2025, no mesmo Estado, com atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A medida busca assegurar maior possibilidade de comparação entre contratações realizadas em condições semelhantes de mercado, considerando a sazonalidade típica do período junino.

O presidente do TCE, conselheiro Gildásio Penedo Filho, ressaltou que as diretrizes foram construídas de forma colaborativa, respeitando as especificidades culturais e econômicas do período junino.

“Não há qualquer intenção de criar obstáculos à realização dos festejos. Reconhecemos a importância cultural, social e econômica dessas celebrações, especialmente no Nordeste. O que se busca é estabelecer balizas que assegurem equilíbrio, responsabilidade e planejamento, sem interferir na autonomia do mercado artístico nem dos gestores públicos”, afirmou. *Com informações do Correio 24h