RÁDIO POVO: Qual é o verdadeiro papel do Presidente de uma Câmara de Vereadores?
FF: O principal papel do presidente da Câmara, além da parte administrativa, é administrar o lado político de todos os colegas vereadores.
RÁDIO POVO: O senhor já é vereador de vários mandatos na cidade de Ubatã, o que é que fez com que o senhor pleiteasse a presidência da casa?
FF: Não foi um sonho meu ser presidente da Câmara no segundo biênio, eu planejei isso no primeiro biênio, mas não tive apoio político pra me tornar presidente, aí ganhou Nino Maragon o qual eu dei o meu voto. Eu só entrei como candidato à presidência da Câmara porque houve uma necessidade de nosso grupo ter um candidato, pois estava havendo uma divergência interna dentro da Câmara diante tudo o que Nino estava passando.
RÁDIO POVO: Executivo e Legislativo são poderes independentes, mas sempre um precisa do outro; seja na votação, seja na realização de pedidos feitos pelos vereadores. Como é que está a situação, hoje, do presidente Fernando Fernandes e dos vereadores da Casa com o executivo municipal de Ubatã?
FF: Não está bem. Porque todo executivo ou executiva tem uma imagem negativa dos vereadores. A preocupação de nós vereadores é fazer pedidos ao governo; pedir calçamento, rede de esgoto, pedir reformas de praça, iluminação. Então, o papel do vereador é fazer a documentação, enviar ao governo e esperar que o governo comtemple os vereadores, e esta parte estamos fazendo. Estão aqui em minhas mãos todos os projetos que foram enviados pelo governo para câmara e foram votados, somente um não foi votado. Então, quando eles precisam da Câmara e solicitam a Câmara, são atendidos, e quando nós precisamos do governo, não somos atendidos. Então, o governo não tem a preocupação da boa convivência política com os vereadores.
RÁDIO POVO: Quando o senhor cita que não está tendo uma boa convivência política, ou seja, o executivo tem oposição maioria dentro da Casa?
FF: A Câmara não faz oposição ao governo, e, sim, o governo que não dá atenção necessária à Câmara. Por exemplo: hoje será iniciada à sessão ordinária, é normal que a governo em início de sessão mande uma mensagem de boas-vindas para o legislativo, desejando que façamos um bom trabalho no segundo biênio, atendendo os desejos e anseios da população etc. Porém, ontem pela manhã fui surpreendido pela secretária da prefeita e achei que ela estava indo levar uma mensagem, no entanto ela virou pra mim e entregou dois projetos. Então, não é assim, a Câmara não é mais uma sala da prefeitura, a Câmara é um poder legislativo que está aqui pra ser parceiro do governo e não subordinado ao governo. Nós queremos respeitar o governo, mas também ser respeitados.
RÁDIO POVO: A prefeita confirmou presença na abertura dos trabalhos?
FF: Não, não tive contato nenhum com a prefeita, não vi, não recebi nenhuma mensagem, mas pra gente não é novidade porque durante esses três anos ela só esteve na abertura dos trabalhos uma vez.
RÁDIO POVO: Qual grupo político o senhor acompanhará em 2016, ou está formando um novo grupo político?
FF: Eu sonho em um dia ser prefeito da cidade, por este motivo estou na política, mas sei que não será em 2016, a não ser que haja uma grande mudança no cenário político. Então, eu acredito que num futuro mais adiante possa haver essa possibilidade. Hoje, eu me coloco naquele grupo que vai ter que se comprometer em derrubar a CIP (Contribuição de Iluminação Pública), e eu preciso analisar os grupos políticos para poder seguir, porque na última política fiquei com a prefeita Siméia e não fui valorizado dentro do seu grupo.
RÁDIO POVO: O senhor fez parte do governo atual como secretário. Isso não é ser valorizado?
FF: Eu aceitei e agradeço a prefeita pelo convite, mas aceitei para ter mais desafio na minha vida, pra ter mais um conhecimento político do outro lado administrativo. Quando eu cheguei à secretaria eu tive um apoio imenso de Expedito e Siméia, mas quando passei a descobrir a parte de problemas na administração, eu comecei a incomodar algumas pessoas que são muito fortes no governo e a partir deste momento o meu espaço dentro da secretaria foi diminuindo.
RÁDIO POVO: E existe pessoa mais forte no governo do que a prefeita Siméia e o secretário de administração do governo?
FF: Eu não creio que seja mais forte, mas o poder é igual. E essas pessoas começaram a me retalhar dentro da secretaria. Quando vi que iria me causar um problema político lá na frente, e pessoal como causou, eu pedi que me retornasse para à Câmara. A prefeita e o secretário Expedito me pediram para não sair do cargo e continuar, pois eu era útil dentro da secretaria, mas houve a necessidade de meu retorno para Câmara para poder dar a licença ao vice-prefeito Wesley Faustino para o estado.
RÁDIO POVO: Qual grupo político o senhor segue em 2016? O grupo da prefeita Siméia, o grupo de Dai da Caixa ou de Edson Neves?
FF: Estou conversando com um novo grupo político, porém se neste grupo não sair o nome de um candidato a prefeito, iremos apoiar uma composição com força política, pra não acontecer o que vem acontecendo hoje em nossa cidade. Por exemplo; a gente apoia um determinado prefeito e quando esse prefeito ganha, ele não chama quem o apoiou para ajudar a governar. Na hora de ganhar, os políticos querem o apoio de Fernando, na hora de governar excluírem Fernando.
RÁDIO POVO: Se o senhor fosse chamado para um diálogo com o senhor Expedito Rigaud, haveria esse diálogo, ou esse diálogo está encerrado com o governo municipal?
FF: Na parte ADMINISTRATIVA estou aqui para dialogar e ajudar no que for preciso para o município até 31 de dezembro de 2016, entretanto, na parte POLÍTICA não há diálogo. Eu não tenho interesse nenhum em continuar no grupo político da prefeita Siméia Queiroz.
RÁDIO POVO: Qual a sua relação com o vereador Gabriel Nascif?
FF: O vereador Gabriel era um pré-candidato à presidência da Câmara, ele se articulou para ganhar, porém quando chegou na véspera da eleição, ele viu que os votos que ele tinha não dava para ganhar a eleição, ele sabiamente não registrou a chapa dele, não concorreu e nem votou em mim. Então, o vereador Gabriel tinha a ansiedade de ser presidente e administrar à sua maneira a Câmara. Principalmente, que ele representa o PT que tem uma força política no país muito grande, e ele quis alavancar o nome dele dentro do partido. Então, a sua divergência comigo é devido a ele vê a administração de um jeito, e eu, de outro.
RÁDIO POVO: Quem são os vereadores que você tem apoio administrativamente?
FF: Tarcísio Muniz, Nino Maragon, Pierre Rigaud, Juliano da Nutricau e Vado.