Por: Paulo Cabral Tavares - advogado
Dentro de mim,
existe um ser que veste hábito (Veras). Quer dizer que é uma espécie de frade
franciscano. Gente boa, bom moço, Do bem, que só pensa em fazer o bem, terno,
simpaticíssimo, Este ser que veste hábito convive em tempo integral com outro
que não é tão bom assim. Às vezes quer me levar a fazer o que não devo. E entre
eles existe a minha consciência que serve de fiel da balança. E controla o que
eu quero ser. Ou seja, a moral que regula nossas vidas, que diz o que devemos
ou não fazer que é, no final das contas, o que de fato fazemos. Ou seja, deste
instrumento, nós resultamos. Somos o que somos em face da ética ou da moral que
nós cultivarmos.
Um velho índio
norte-americano, sem qualquer estudo, sem saber ler, pois, ao que se saiba, os
índios do continente americano não tinham escrita, exceção dos Maias, e não
sabiam ler. Mas isso, não impedia que alguns deles fossem pessoas sábias. De
grande envergadura moral e social e de grande sabedoria. Este velho índio dizia
que dentro dele existiam dois cães que viviam brigando permanentemente. Um do
bem, outro do mal. Ao ser perguntado qual dos dois afinal ganhava a briga, ele
respondeu de imediato: Oque eu alimentar.
A vida é assim.
Dependemos de nossas escolhas, de nossas decisões a cada momento. Quando nós
estamos dirigindo um veículo numa autoestrada temos que tomar decisões a cada
instante. A cada segundo. Desviando de um buraco, reduzindo a velocidade, indo
até para o acostamento para evitar uma colisão. Nos carros mais modernos,
podemos deixar a seu critério a mudança do câmbio As marchas são passadas
automaticamente sem que precisemos nos preocupar. Se estiver pilotando um
avião, você pode ligar o piloto automático, se o voo for de longa distância. E
relaxar por alguns instantes.
Na vida,
entretanto, não podemos ligar o piloto automático. Temos que continuar
vigilantes o tempo todo. Mesmo sem desconfiar disso, somos treinados desde as
nossas primeiras manifestações a ser convenientes. A não dizer o que pensamos,
a ser “educados”. Não podemos dizer que aquela menininha que achamos muito
feia, em frente aos seus pais, que não é uma menina bonita; Numa petição,
cheguei a escrever que somente as crianças, os loucos e os bêbados, estes algumas
vezes, dizem a verdade. Costumamos, ou tentamos, dizer a palavra certa,
conveniente, em cada momento de nossas relações. Aqueles que têm o que se chama
de inteligência emocional, têm um dispositivo mental que os torna mais
simpáticos e que os torna capazes a ser vencedores em suas atuações, mesmo sem
ter sido os mais brilhantes em suas classes escolares. Sabem sorrir mais
facilmente, têm o elogio na ponta da língua, sem parecer bajulação, enfim,
sabem se comportar deforma a parecer mais agradáveis e mais inteligentes.
Eu não disponho
muito desta chamada “inteligência emocional”. Fico no meio termo. Não quero ser
desagradável a ninguém. Também não me interessa ser agradável apenas por
conveniência, mas não vou dizer que aquela menininha é tão feia quanto me
parece em vista dos seus pais corujas. Desta forma, desejamos ser honestos e verdadeiros
o mais possível, mas é sempre bom que tenhamos em mente que não podemos vestir
a camisa do glorioso Vasco da Gama, numa reunião onde só existam flamenguistas.
Ubatã, 04 de Novembro de 2013
Paulo Cabral