05 novembro 2013

Artigo: A verdade de cada um!


Por: Paulo Cabral Tavares - advogado

Dentro de mim, existe um ser que veste hábito (Veras). Quer dizer que é uma espécie de frade franciscano. Gente boa, bom moço, Do bem, que só pensa em fazer o bem, terno, simpaticíssimo, Este ser que veste hábito convive em tempo integral com outro que não é tão bom assim. Às vezes quer me levar a fazer o que não devo. E entre eles existe a minha consciência que serve de fiel da balança. E controla o que eu quero ser. Ou seja, a moral que regula nossas vidas, que diz o que devemos ou não fazer que é, no final das contas, o que de fato fazemos. Ou seja, deste instrumento, nós resultamos. Somos o que somos em face da ética ou da moral que nós cultivarmos.

Um velho índio norte-americano, sem qualquer estudo, sem saber ler, pois, ao que se saiba, os índios do continente americano não tinham escrita, exceção dos Maias, e não sabiam ler. Mas isso, não impedia que alguns deles fossem pessoas sábias. De grande envergadura moral e social e de grande sabedoria. Este velho índio dizia que dentro dele existiam dois cães que viviam brigando permanentemente. Um do bem, outro do mal. Ao ser perguntado qual dos dois afinal ganhava a briga, ele respondeu de imediato: Oque eu alimentar.

A vida é assim. Dependemos de nossas escolhas, de nossas decisões a cada momento. Quando nós estamos dirigindo um veículo numa autoestrada temos que tomar decisões a cada instante. A cada segundo. Desviando de um buraco, reduzindo a velocidade, indo até para o acostamento para evitar uma colisão. Nos carros mais modernos, podemos deixar a seu critério a mudança do câmbio As marchas são passadas automaticamente sem que precisemos nos preocupar. Se estiver pilotando um avião, você pode ligar o piloto automático, se o voo for de longa distância. E relaxar por alguns instantes.

Na vida, entretanto, não podemos ligar o piloto automático. Temos que continuar vigilantes o tempo todo. Mesmo sem desconfiar disso, somos treinados desde as nossas primeiras manifestações a ser convenientes. A não dizer o que pensamos, a ser “educados”. Não podemos dizer que aquela menininha que achamos muito feia, em frente aos seus pais, que não é uma menina bonita; Numa petição, cheguei a escrever que somente as crianças, os loucos e os bêbados, estes algumas vezes, dizem a verdade. Costumamos, ou tentamos, dizer a palavra certa, conveniente, em cada momento de nossas relações. Aqueles que têm o que se chama de inteligência emocional, têm um dispositivo mental que os torna mais simpáticos e que os torna capazes a ser vencedores em suas atuações, mesmo sem ter sido os mais brilhantes em suas classes escolares. Sabem sorrir mais facilmente, têm o elogio na ponta da língua, sem parecer bajulação, enfim, sabem se comportar deforma a parecer mais agradáveis e mais inteligentes.


Eu não disponho muito desta chamada “inteligência emocional”. Fico no meio termo. Não quero ser desagradável a ninguém. Também não me interessa ser agradável apenas por conveniência, mas não vou dizer que aquela menininha é tão feia quanto me parece em vista dos seus pais corujas. Desta forma, desejamos ser honestos e verdadeiros o mais possível, mas é sempre bom que tenhamos em mente que não podemos vestir a camisa do glorioso Vasco da Gama, numa reunião onde só existam flamenguistas.

Ubatã, 04 de Novembro de 2013
Paulo Cabral