Por: Paulo Cabral Tavares - advogado
Dizem que foi
descoberto um grande rio subterrâneo por baixo do Rio Amazonas. Um imenso rio
bem maior e mais caudaloso do que o Amazonas. Por baixo da terra, muito por
baixo. Não é ficção, isto é científico. Às vezes eu penso
que por dentro de mim, aliás, dentro de todos nós existe um rio assim. Bem maior
e mais caudaloso do que o rio que é a nossa mente.
Na verdade, a
nossa mente não para de pensar. Nunca. Mesmo que a gente esteja dormindo, ela
continua, nos nossos sonhos. Raciocinar é a nossa saga. É uma praga de que não
podemos nos livrar. Mesmo dormindo continuamos a ter as nossas preocupações e a
ter nossas ansiedades. É um tráfego intenso que não cessa.Pensamentos
permanentemente estão se movimentando carregando nossos desejos, nossas
preocupações e nossas ansiedades. Nossas alegrais e nossas tristezas. Nossas
vitórias e nossas derrotas. Isto porque não podemos, mesmo se quisermos,apagar
o nosso passado.
Mas existe um
meio buscado pelos meditadores do oriente para silenciar a mente. Buscar o
silêncio interno. Eu disse um meio buscado quando na verdade muitos deles
conseguem atingir este ideal. Silenciar a mente.
Eu acho uma ideia
extraordinária. Difícil, muito difícil de alcançar. Só com muita persistência,
diria, muita ralação mental para se chegar a poder mesmo que por breves momentos
alcançar o apaziguamento interno.
E finalmente
encontrar a iluminação. A paz. Deus, no final de contas. Aí você pode se
encontrar. Sem adereços nem paetês, simplesmente você. Sem adjetivações,sem
platéia. Sem qualquer máscara, sem qualquer roupagem.
Isto é a
meditação. Não toda meditação, mas aquela praticada pelos mestres orientais,que
vivem quase somente para este ideal. Aquele ideal em que chega um dia, um
abençoado dia, que ela, a meditação se
torna seu estado natural.
Eu não pretendo
tanto. Não busco o estado natural de meditação permanente. Mas bem que gostaria
de me livrar de minhas angústias, de meus medos, de minhas preocupações. De ser
sempre uma pessoa melhor. De desbastar as minhas asperezas. De ter sonhos mais
tranquilos à noite e na vida de ter sonhos mais fáceis de alcançar.
Como aqueles
sonhos que tinha quando criança: de receber um pequeno presente no Natal. De
passar de ano. E poder comprar aquela roupa que namorava nas vitrines. Do menino
tímido que queria ganhar aquela garota que achava linda, mas não tinha coragem
de nem ao menos lhe dirigir a palavra.
E sonhos que
cultivo até hoje, como por exemplo, o de ser amado pelas pessoas que me cercam.
O de ter uma boa imagem. De ser aceito no meu meio e conquistar o meu lugar na
vida. E de alcançar um estado de espírito
de tranquilidade e de paz.
Ubatã, 23
de outubro de 2013.
PauloCabral Tavares