09 outubro 2013

Artigo: Eu não quero ser Homer Simpson

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Por: Paulo Cabral Tavares - advogado

Não existe almoço grátis. Nem cafezinho. A primeira frase é de um renomado economista americano. A segunda nem tanto, pois, é do escritor que lhes escreve estas mal traçadas linhas... Na verdade, ambas querem significar que não existe nada que lhe seja oferecido que não exista custo. De fato, almoço e cafezinho não caem do céu e se você almoçar ou tomar o cafezinho que lhe sejam oferecidos, certamente você pagará por ele. Ou alguém pagará. Aqui entre nós medra outro ditado que diz que quando o santo vê esmola demais desconfia.

A gente precisa entender que ninguém, ou raramente, alguém lhe oferece alguma coisa de graça. Desinteressadamente. Pois, sempre alguém está vendendo alguma coisa. Seja um produto material, ou uma ideia, uma imagem pessoal, alguma mercadoria que temos interesse de passar adiante. Com um propósito. A todo instante estamos fazendo o nosso marketing pessoal.

De fato, todos nós vendemos uma imagem de nós próprios quase sempre diferente e superior da que realmente somos. Claro, desejamos transmitir a melhor imagem que pudermos. Por isso cuidamos tanto de nossa aparência pessoal. Às vezes existe sinceridade nisto, nós realmente acreditamos que somos uma pessoa melhor, com mais qualidades.

Eu li uma história de um grande executivo em São Paulo, pessoa que se julgava o tal que, numa sessão de psicologia, em que acompanhava seu filho adolescente, este lhe disse que ele era a cópia fiel de Homer Simpson, o atrapalhado pai da família Simpson que tanto sucesso faz na série da televisão americana. Ele entrou em parafuso, pois ficou arrasado com a imagem que o filho fazia dele. Homer Simpson é um trapalhão e ele fazia uma ideia de ser um super-homem aos olhos do filho. Precisou de apoio psicológico para não cair em depressão.

Nemsempre é assim. Nem sempre parecemos um Homer Simpson aos olhos dos que nos cercam. Mas é preciso às vezes beber um pouco de chá da humildade e fazer uma autoanálise , para que não nos super valorizemos e nos consideremos acima dos pobres mortais.

Na verdade, nenhum de nós deseja ser um Homer Simpson, mas é bom que tenhamos em mente que, certamente, não somos também nenhum super-homem.

Ubatã, 8 de outubrode 2013.
Paulo Cabral Tavares