Por: Paulo Cabral Tavares, advogado
Eu tinha treze
anos. Na empolgação da emancipação de nossa terra, eu fiz o meu primeiro
discurso em praça pública. Fui destacado para fazer uma saudação ao General da
Vitória, título que consagrou Sandoval Alcântara, por muito tempo. Ainda me
lembro, num palanque em frente de onde é hoje o bar e sede do Glorioso Vasco da
Gama, na Praça Presidente Vargas.
Garanto que não
tremi tanto quanto disseram depois. Mas a emoção era muito grande. Vivíamos sob
o jugo de Ipiaú, o que feria e muito o nosso orgulho. E aquele era o dia da
libertação, nos tornamos cidade! Deixamos de ser vila! Agora poderíamos ter o
nosso prefeito, os nossos vereadores, nossa prefeitura. Que coisa maravilhosa
que nos enchia de orgulho e de ufanismo.
Festa, alegria,
banda de música, discursos, euforia.
Numa alegria
quase infantil, as rivalidades não eram tão grandes. Mas já existiam sim,
algumas disputas no que se referia à política estadual. Entre a UDN,
capitaneada por Dr. César Monteiro Pirajá com o PSD de Sandoval e o PTB de
Hamilton Mota, irmão de Sandoval.
Eu me lembro
quando da vitória de Regis Pacheco, candidato do PSD, o serviço de alto-falante
“A Voz da Cidade”, que era o porta-voz da PSD na época, tocou durante todo a
programação do dia e da noite, por alguns dias, uma música que tinha um refrão:
O pau comeu,
Comeu na casa de
Noca,
O pau comeu...
Matando os
adversários de raiva. E criando os primeiros ódios, as primeiras disputas, as
primeiras rivalidades.
Sandoval foi
para o Rio de Janeiro que era a Capital da República, na busca da emancipação,
financiado por Flávio Dias, Otávio Ribeiro e outros fazendeiros da cidade. E
passou meses por lá, hospedado no Copacabana Palace Hotel, o melhor do Rio na
época. E ainda hoje, o mais charmoso hotel do Rio. Não sei por quanto tempo.
Imagine Sandoval que era um cavalheiro, bonitão, no auge da juventude, no Rio
de Janeiro hospedado no Copacabana!!!
Não sei porquanto tempo, mas a verdade é que veio de lá com a Lei que
emancipava Ubatã na mão, conseguida pela amizade que Sandoval fez com o
Ministro Barros Barreto, ainda hoje nome de rua na nossa cidade.
Não é preciso
dizer da popularidade e da liderança criada por Sandoval na cidade emancipada.
Para mim, durante muito tempo foi o maior líder político de Ubatã.
Mas os tempos
são outros. Lá se vão cinquenta e três anos. Quase todos os personagens daquele
tempo já morreram. Fizeram história, deram a sua participação e se foram desta
vida. A cidade foi Menina Moça um dia, depois se tornou adulta, e hoje já é uma
respeitável senhora de sessenta anos.
Só nos resta lhe
dar os parabéns, da melhor forma possível.
Comemorar as
boas coisas que fizemos durante tanto tempo. Esperar que aprendamos com o nosso
passado, que não foi tão de glória assim, pelo menos nos últimos tempos. Mas
lembrar que temos um compromisso com o passado, para tentar melhorar sempre e
fazer de nossa cidade, uma cidade melhor, mais justa, mais igualitária.
Parabéns Ubatã.
Ubatã, 25 de setembro de 2013.
Paulo Cabral Tavares