24 setembro 2013

Artigo: Eu quero me encontrar com Deus


 
Por: Paulo Cabral Tavares, advogado

Eu sempre aprendi desde cedo quase quisesse ir para o céu, para o paraíso, eu deveria ser bom. Deveria praticar bem. Ao contrario, se não fosse bom durante toda a vida, se fizesse coisas erradas e proibidas, eu iria para o inferno depois da morte. Iria queimar por toda a eternidade no fogo do inferno. Sem possibilidade de remissão. Sem volta. 

Aí eu pensava uma queimadurazinha de nada, dói pra caramba, imagine queimar de corpo inteiro no fogo do inferno. Em tempo integral. E para sempre.  Para toda a eternidade.
Eu não consigo acreditar nisso. E para falar francamente, esta dualidade não me atrai nem me convence. Eu não posso acreditar que exista uma religião que me condene a isto.
Dante Alighieri escreveu em seu célebre poema “A Divina Comédia” que na porta do inferno está escrito “vós que entrais, deixai aqui toda a esperança”.
 
É uma ideia assustadora, pois, quem entrar no inferno deve perder todas as esperanças, perder a possibilidade de se recuperar, melhorar de situação, e, em consequência, queimar para sempre no fogo eterno. Desculpem-me os muitos religiosos, esta ideia não me atrai. Quero dizer, eu não quero ir para o céu nestas condições. Muito menos ir para o inferno, pois se for nestes termos, então tenho como acreditar.
 
Eu quero sim, me encontrar com Deus.  Mas não depois da minha vida. Não, eu quero me encontrar com Deus neste mundo. Seja através de uma religião, seja através da meditação, de um ritual qualquer, de qualquer prática, pode ser oriental ou ocidental, que me eleve até Deus.
Eu quero poder me livrar de meus medos. Reconhecer os meus erros e tentar não os repetir. Superar minhas inseguranças. Espantar o pessimismo e chegar a um estado de espírito, mesmo por momentos fugazes, em que eu sinta a presença de Deus em minha vida, no meu ser, dentro de mim.
Quero descobrir este Deus que dizem que está dentro da gente.  Quero acordá-lo, pois muitas vezes a sensação é de que esteja dormindo dentro de mime poder viver em estado de sublimação. Independente de poder ir para o céu ocupara o inferno.
 
Não, eu não espero vivenciar milagres fajutos, nem vou ter que esperar ir para o paraíso ou para o inferno. Enquero evoluir, melhorar como pessoa, como ser humano. Eu não almejo qualquer recompensa, qualquer prêmio pelo meu comportamento. Não acredito também que melhorarei de vida se der alguma contribuição, como por exemplo, pagar dízimo. Para mim, se tiver de pagar ou retribuir alguma coisa, posso fazê-lo não em troca de melhorar de vida ou de receber alguma coisa de Deus em troca. Desculpem mais uma vez, mas acho que este tipo de pensamento é muito mesquinho e nãoa credito que Deus possa agir assim. Participar desta troca. Mesmo porque nas histórias das religiões isto não está comprovado.
 
Quero encontrar o que existe de bom e salutar neste mundo. Descobrir o que existe de bom em cada companheiro que encontrar pela frente. Descobrir o que existe de bom dentro de mim. Poder expandir este sentimento. Se existe paraíso eu quero encontrá-lo nesta vida. Porque eu acho que depende da gente viver no céu ou no inferno nesta nossa vida terrena.
Que Deus me perdoe se estou escrevendo besteiras, mas sei que ele é misericordioso e sabe que estou escrevendo o que sinto e me perdoará se eu estiver errado. Na verdade, o que se diz de besteira em nome de Deus, neste mundo e neste nosso Brasil, em comparação, as minhas bobagens são insignificantes e muito mais sinceras.

Ubatã, 24 de setembro de 2013                                       
                                    
PAULO CABRAL TAVARES