Por: Paulo Cabral Tavares, advogado
Eu sempre aprendi desde cedo quase quisesse ir para o céu, para o paraíso, eu deveria ser bom. Deveria praticar bem. Ao contrario, se não fosse bom durante toda a vida, se fizesse coisas erradas e proibidas, eu iria para o inferno depois da morte. Iria queimar por toda a eternidade no fogo do inferno. Sem possibilidade de remissão. Sem volta.
Aí eu pensava uma queimadurazinha de nada, dói pra caramba,
imagine queimar de corpo inteiro no fogo do inferno. Em tempo integral. E para
sempre. Para toda a eternidade.
Eu não consigo acreditar nisso. E para falar francamente,
esta dualidade não me atrai nem me convence. Eu não posso acreditar que exista
uma religião que me condene a isto.
Dante Alighieri escreveu em seu célebre poema “A Divina
Comédia” que na porta do inferno está escrito “vós que entrais, deixai aqui
toda a esperança”.
É uma ideia assustadora, pois, quem entrar no inferno deve
perder todas as esperanças, perder a possibilidade de se recuperar, melhorar de
situação, e, em consequência, queimar para sempre no fogo eterno. Desculpem-me os muitos religiosos, esta ideia não me atrai.
Quero dizer, eu não quero ir para o céu nestas condições. Muito menos ir para o
inferno, pois se for nestes termos, então tenho como acreditar.
Eu quero sim, me encontrar com Deus. Mas não depois da minha vida. Não, eu quero me
encontrar com Deus neste mundo. Seja através de uma religião, seja através da
meditação, de um ritual qualquer, de qualquer prática, pode ser oriental ou
ocidental, que me eleve até Deus.
Eu quero poder me livrar de meus medos. Reconhecer os meus
erros e tentar não os repetir. Superar minhas inseguranças. Espantar o
pessimismo e chegar a um estado de espírito, mesmo por momentos fugazes, em que
eu sinta a presença de Deus em minha vida, no meu ser, dentro de mim.
Quero descobrir este Deus que dizem que está dentro da
gente. Quero acordá-lo, pois muitas
vezes a sensação é de que esteja dormindo dentro de mime poder viver em estado
de sublimação. Independente de poder ir para o céu ocupara o inferno.
Não, eu não espero vivenciar milagres fajutos, nem vou ter
que esperar ir para o paraíso ou para o inferno. Enquero evoluir, melhorar como
pessoa, como ser humano. Eu não almejo qualquer recompensa, qualquer prêmio
pelo meu comportamento. Não acredito também que melhorarei de vida se der
alguma contribuição, como por exemplo, pagar dízimo. Para mim, se tiver de
pagar ou retribuir alguma coisa, posso fazê-lo não em troca de melhorar de vida
ou de receber alguma coisa de Deus em troca. Desculpem mais uma vez, mas acho
que este tipo de pensamento é muito mesquinho e nãoa credito que Deus possa
agir assim. Participar desta troca. Mesmo porque nas histórias das religiões
isto não está comprovado.
Quero encontrar o que existe de bom e salutar neste mundo.
Descobrir o que existe de bom em cada companheiro que encontrar pela frente.
Descobrir o que existe de bom dentro de mim. Poder expandir este sentimento. Se existe paraíso eu quero encontrá-lo nesta vida. Porque eu
acho que depende da gente viver no céu ou no inferno nesta nossa vida terrena.
Que Deus me perdoe se estou escrevendo besteiras, mas sei
que ele é misericordioso e sabe que estou escrevendo o que sinto e me perdoará
se eu estiver errado. Na verdade, o que se diz de besteira em nome de Deus,
neste mundo e neste nosso Brasil, em comparação, as minhas bobagens são
insignificantes e muito mais sinceras.
Ubatã, 24 de setembro de 2013
PAULO CABRAL TAVARES