Paulo Cabral Tavares - advogado
Por: Paulo Cabral
A pró Ana – Ana Lúcia Leal Lopes - vai parar de lecionar. Provisoriamente, pelo menos por um ano. O médico diagnosticou um problema em suas cordas vocais e determinou que ela parasse de dar aulas, pelo menos por algum tempo. Não pode forçar as cordas vocais dando aulas. Ela entrou em desespero. Não com a doença, como seria natural. A grande pergunta, entre lágrimas e soluços, foi:
-Mas como é que
vou parar de ensinar?!!! E os meus meninos? Os meus alunos?
A única
preocupação foi com os seus meninos. Os seus alunos que a amam tanto. E a quem
ela ama tanto. Para quem vive imaginando coisinhas, cadernos decorados, apresentações,
tudo enfim. Passa as noites recortando,
pintando, enfeitando os caderninhos daqueles meninos pobres que muitas vezes
não têm em casa o carinho que eles recebem da pro Ana na sala de aula.
Presentes, brincadeiras, formas de aprendizado. Meninos que, no seu pensar, não
podem ser compreendidos por mais ninguém. Não teriam o cuidado e o carinho que
só a pró Ana pode lhes dar. Não, não é possível.
-Quem iria levar
seus meninos para dormir em sua casa, como a pro Ana fez? Quem ostraria muitas
vezes para almoçar com ela? Quem se preocuparia em festejar a sua páscoa como a
Pro Ana? E os presentinhos no Natal que ela consegue pedindo no comércio, com
os amigos, com a Maçonaria? Quem teria tanto trabalho, tanta dedicação?
Procurou Rita,
Secretara de Educação. Teria que haver um jeito, mas não iria se afastar da
sala de aula. Não queria a licença, com que muita gente vive sonhando. Deixar
de ensinar por um ano e recebendo integralmente o seu salário. De jeito nenhum.
Queria e quer que a professora Rita a deixe na sua escola. Se não puder dar
aulas que cuide de seus meninos de outra forma. Que fique na Secretaria de onde
pode de alguma forma ver, acompanhar seus pequeninos alunos da fase
pré–primária e, ajudá-los no que puder.
Não tem coragem
para dizer aos pequeninos que terá de se afastar da sala de aula. É como se um
juiz maluco lhe tirasse a guarda de seus filhos pequenos.
Não sei Pro Ana
Lúcia. Mas eu também torço para que, em primeiro lugar, você fique boa,
recupere a sua saúde. Mas também torço para que você fique junto dos seus meninos
que precisam tanto de você e sei que a Pró Rita vai dar um jeito e, não precisa
chorar tanto, você não vai sair de licença. Mas vai continuar junto de seus
quase filhos a quem você ama tanto e que também tanto lhe amam.
Se pró Rita não
der, tenha certeza, pró Ana, Deus vai dar um jeito.