06 abril 2013

Artigo: Professora Nota 10 II

Paulo Cabral Tavares - advogado
Por: Paulo Cabral

A pró Ana – Ana Lúcia Leal Lopes - vai parar de lecionar. Provisoriamente, pelo menos por um ano. O médico diagnosticou um problema em suas cordas vocais e determinou que ela parasse de dar aulas, pelo menos por algum tempo. Não pode forçar as cordas vocais dando aulas. Ela entrou em desespero. Não com a doença, como seria natural. A grande pergunta, entre lágrimas e soluços, foi:

-Mas como é que vou parar de ensinar?!!! E os meus meninos? Os meus alunos?

A única preocupação foi com os seus meninos. Os seus alunos que a amam tanto. E a quem ela ama tanto. Para quem vive imaginando coisinhas, cadernos decorados, apresentações, tudo enfim.  Passa as noites recortando, pintando, enfeitando os caderninhos daqueles meninos pobres que muitas vezes não têm em casa o carinho que eles recebem da pro Ana na sala de aula. Presentes, brincadeiras, formas de aprendizado. Meninos que, no seu pensar, não podem ser compreendidos por mais ninguém. Não teriam o cuidado e o carinho que só a pró Ana pode lhes dar. Não, não é possível.

-Quem iria levar seus meninos para dormir em sua casa, como a pro Ana fez? Quem ostraria muitas vezes para almoçar com ela? Quem se preocuparia em festejar a sua páscoa como a Pro Ana? E os presentinhos no Natal que ela consegue pedindo no comércio, com os amigos, com a Maçonaria? Quem teria tanto trabalho, tanta dedicação?

Procurou Rita, Secretara de Educação. Teria que haver um jeito, mas não iria se afastar da sala de aula. Não queria a licença, com que muita gente vive sonhando. Deixar de ensinar por um ano e recebendo integralmente o seu salário. De jeito nenhum. Queria e quer que a professora Rita a deixe na sua escola. Se não puder dar aulas que cuide de seus meninos de outra forma. Que fique na Secretaria de onde pode de alguma forma ver, acompanhar seus pequeninos alunos da fase pré–primária e, ajudá-los no que puder.

Não tem coragem para dizer aos pequeninos que terá de se afastar da sala de aula. É como se um juiz maluco lhe tirasse a guarda de seus filhos pequenos.

Não sei Pro Ana Lúcia. Mas eu também torço para que, em primeiro lugar, você fique boa, recupere a sua saúde. Mas também torço para que você fique junto dos seus meninos que precisam tanto de você e sei que a Pró Rita vai dar um jeito e, não precisa chorar tanto, você não vai sair de licença. Mas vai continuar junto de seus quase filhos a quem você ama tanto e que também tanto lhe amam.

Se pró Rita não der, tenha certeza, pró Ana, Deus vai dar um jeito.