18 dezembro 2011

Continuação texto Paulo Cabral


O ratinho então procurou o porco:

- Amigo porco, aconteceu uma coisa terrível. A dona da casa comprou uma ratoeira. Veja que horror!!!
- Eu não quero nem saber. Acompra da ratoeira não me atinge.
E foi fuçar a terra em procura de alimentos.

Sentindo-se cada vez mais apavorado e abandonado pelos amigos que não compartilhavam com a sua grande preocupação, o ratinho procurou a vaca para externar as suas amarguras:
- Amiga vaca, a dona da casa comprou uma ratoeira! Que desastre amiga vaca, o que vai ser de nós?
- Nem me viu, amigo ratinho. Eu não tenho nada com isso, e lá se foi a ruminar o capim que havia comido, sem qualquer preocupação.

Ninguém tinha nada com isso.Por que se preocupar com uma ratoeira?
De noite a dona da casa ouvia a ratoeira desarmar e pensou que tinha pegado um rato. Estava escuro e foi apanhar a ratoeira. Mas, na verdade, a ratoeira tinha pegado uma cobra que apesar de estar presa ainda estava viva e picou a dona da casa. Ela veio a passar mal e o marido foi buscar um médico para tratar de sua mulher.

Então o médico recomendou uma dieta suave que bem poderia ser uma canja de galinha. No outro dia a cozinheira matou a galinha e fez a canja que o médico recomendara. 

Mas a mulher não melhorou e como estava perto do fim de semana muitos parentes vieram visitá-la.
O marido então mandou que matassem o porco para poder receber tantos parentes e amigos que viriam visitara sua mulher que continuava passando muito mal.

A mulher não melhorou e veio a falecer. Como eram muito queridos, tanto a mulher como o seu marido, este para receber todo o povo que veio para o enterro na fazenda teve que matar a vaca.
Na vida, na nossa cidade,acontecem muitas coisas semelhantes. Muitas vezes a gente não se preocupa com os desmandos, os desgovernos, a corrupção, enfim, o abandono que rola na cidade, acreditando que não tem nada com isso. A falta de pagamento de salário,a saúde precária, a insegurança total, acreditando que não é problema nosso.

Na verdade, deveríamos nos preocupar. Pode ser que exista uma ratoeira na nossa vida e que a gente nem se aperceba dela.

Ubatã, 12 de dezembro de 2012.

Paulo Cabral Tavares