Por: Paulo Cabral Tavares
Tenho ouvido de muita gente que nós ubatenses devemos tomar vergonha na cara e escolher melhor os nossos dirigentes. Deixar de lado os nossos, sempre lembrados, interesses pessoais e votar em alguém que possa dirigir bem a nossa cidade e melhor aplicar o dinheiro que chega mensalmente nas contas da prefeitura. E olhe que chega muita dinheiro que daria, se aplicado corretamente, para mudar a cara de nossa terra.
O grande problema é que você não sabe mesmo em quem votar. Quem escolher. Todos antes de chegar, antes de tomar posse ou, como diz o povão, antes de botar a poupança na cadeira, todos são iguais. Depois também. Explico: antes todos prometem acabar com a corrupção, fazer um bom governo, ser justo e perfeito, trabalhar em favor do povo. Depois, todos também são iguais, pois, de um dia para o outro mudam radicalmente, inclusive o discurso de salvador da pátria (que é rapidamente esquecido) e entram de corpo e alma na farra da gastança sem critério. De imediato são feitas novas alianças até com políticos que uns poucos dias antes lhes eram adversos. E nós, apesar de ficarmos estupefatos, nada podemos fazer nada. Apenas constatar que mais uma vez, pela enésima vez, fomos enganados, tiraram-nos a esperança de melhores dias. De construir uma cidade melhor para nós e para nossos filhos. E aceitamos a situação, nos afastando do problema, mesmo aqueles que um dia lutaram para a construção de um mundo melhor na cidade em que nasceram ou em que moram.
Então se não sabemos escolher com segurança, quem vai administrar a nossa terra durante quatro anos, o que fazer? Como agir? Como resolver este problema fundamental?
Outro dia eu disse que só nos restava rezar, mas reconsiderando eu acho que não devemos deixar nas mãos de Deus, nossos problemas desta natureza. É preciso que reajamos, lutemos, façamos alguma coisa para que esta situação não se perpetue para sempre, amém. Discutir o problema crônico da corrupção em nossa terra já é um começo. Um primeiro passo, sem o que não se pode começar qualquer caminhada.
Os setores organizados, os sindicatos, as associações, os profissionais liberais, os servidores públicos, os estudantes, classe sempre inconformada através dos tempos com os desmandos de toda a ordem, a maçonaria e principalmente as igrejas deveriam combater dentro de suas instituições e fora delas, a corrupção e divulgar isto, repelir os atos sabidamente ligados ao mau uso do dinheiro público.
Jesus Cristo (e quase todos nós somos cristãos) pregava ética acima de tudo E nunca transigiu em seus princípios, mesmo enfrentando até a morte, não recuando diante da adversidade e da injustiça. E nós, seus seguidores, cristãos de nome e propagação, que fazemos? Ás vezes até aceitamos a colaboração espúria sem nos perguntar, como instituição, a origem do benefício.
Falta-nos a coragem? Falta-nos vergonha cara?
Não sei. Só sei que não podemos carregar essa tristeza e este desalento dentro de nossos corações para sempre, com o que passa aqui na nossa terra. E ficar com aquela dorzinha de consciência, lá no fundo da alma, por não ter feito nada. Ainda temos tempo. E precisamos virar este jogo. O pessoal do mal já mandou demais. É hora de mandar este pessoal para casa. Para trabalhar de verdade e deixar nossa terra sobreviver.
Paulo Cabral Tavares
24 de Novembro de 2011
