
Pr. Jeftá Alves Costa* – Igreja Batista Sinai
A FIGUEIRA E A IGREJA
Mateus 21.18-22[1]
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18 De manhã, ao voltar à cidade, teve fome; 19 e,
avistando uma figueira à beira do caminho, apro-ximou-se dela e achou somente
folhas; então lhe disse: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou
imediatamente. 20 Quando os discípulos vi-ram isso, perguntaram
admirados: Como a figuei-ra secou assim, de imediato? 21 Jesus,
porém, lhes
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respondeu:
Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que
foi feito à figueira, mas até se disserdes a este monte: Ergue-te, e lança-te
no mar, isso será feito; 22 e tudo o que pedirdes em oração,
crendo, recebereis.
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A Igreja de Cristo hodierna está cada vez mais distante
daquilo que Ele quer, uma vida como Ele viveu. A hipocrisia e o orgulho tem
sobreposto a fé no Filho de Deus. Diante dessas inquietações surgiu essa
meditação bíblica.
A figueira é uma árvore frutífera muito comum em Israel cujo
a colheita é feita duas vezes no ano: Os primeiros figos maduros, ou figos
temporãos amadurecem em junho ou no começo de julho e os figos serôdios, que
crescem no lenho novo e constituem a safra principal, amadurecendo em geral a
partir de agosto. Interessante na figueira é que normalmente as árvores dão
folhas e depois frutos, ela faz o contrário primeiro vêm os frutos e depois as
folhas. A figueira infrutífera do texto em destaque é Israel. Ela não tem os
frutos que Deus esperava. Esse milagre destaca a decepção de Cristo com Israel,
que o rejeitou, então Deus escolheu um novo povo para substituir Israel. Nós
somos esse novo povo, “fomos chamados das trevas para a maravilhosa luz de
Cristo.”[2]
A aparência sem resultado, as folhas sem os frutos, que no
caso da figueira devia vir antes, mostra a hipocrisia de Israel que se diziam
povo de Deus, mas não frutificavam. Infelizmente muitos que fazem parte do novo
povo de Deus, o Israel espiritual, têm caminhado pelo mesmo caminho da
hipocrisia de Israel. São aparentemente frutíferos, as folhas estão à vista
(Templos bonitos, Igrejas superlotadas, “poder” do Espírito Santo), mas os
frutos não aparecem.
Muitos pensam que ser frutífero é encher a Igreja de almas
para Cristo, isso faz parte de uma vida frutífera, mas o fruto que Deus espera
de nós é o fruto do Espírito que está em Gálatas 5.22 e 23: “Mas o fruto do
Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade,
amabilidade e domínio próprio.” Muitas Igrejas “inchadas”, mas não buscam uma
vida de sinceridade diante de Deus, querem poder, cura, libertação, solução
imediata, porém não demostra nenhuma virtude do fruto do Espírito Santo. Não
nos esqueçamos de que Cristo amaldiçoou a figueira infrutífera e assim também
fará com a Igreja infrutífera conforme Mateus 7.22 e 23: “Naquele dia, muitos
me dirão: Senhor, Senhor, nós não profetizamos em teu nome? Em teu nome não
expulsamos demônios? Em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi
claramente: Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais o mal.”
Jesus aproveita a situação para
ensinar aos discípulos que ritos religiosos não são importantes mediante a fé.
Alguns estudiosos sugerem que o monte do qual Jesus falou no v. 21 simbolizava
o monte Sião, onde ficava o Templo. De lá vinha todos os ritos para que Deus
fosse adorado, atendesse orações, perdoasse pecados, ou seja, os ritos
religiosos.
A figueira simboliza Israel, como
dito antes, tradição e religiosidade apenas, mas rejeita o Messias e é
amaldiçoado. Quantas Igrejas hodiernas estão apegadas mais a ritos,
religiosidade e se esquecem do mais importante, Cristo. O monte da
religiosidade é demasiadamente pesado para retirarmos de nossas Igrejas, mas se
tivermos fé em Cristo poderemos dizer a este monte ergue-te e lança-te no mar.
A religiosidade nos afasta de Deus e nos torna infrutíferos. A fé nos aproxima
de Deus: Hebreus 11.1, 6 “A fé é a garantia do que se espera e a prova do que
não se vê.(...) Sem fé é impossível agradar a Deus, pois é necessário que quem
se aproxima de Deus creia que Ele existe e recompensa os que o buscam.”
Ao nos despirmos da religiosidade
e vivermos pela fé em Cristo, diremos como o Apóstolo Paulo em Gálatas 2.20:
“Portanto, não sou mais eu quem vive, mas é Cristo quem vive em mim. E essa
vida que vivo agora no corpo, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se
entregou por mim.” Essa fé no Filho de Deus nos faz crê que todas as coisas são
possíveis e que tudo que for pedido Ele vai conceder na sua soberana vontade.
Queridos leitores, a fé em Cristo
nos faz crer no impossível e não somente isso, pela fé devemos viver longe da
hipocrisia que nos torna infrutíferos. A religiosidade é um perigo para fé,
pois deixamos de crer em Jesus para crer em seres humanos que se dizem
poderosos, para crer em amuletos sagrados (copo de água, sal grosso, lenço
suado, sopros, por ai vai), a religiosidade nos faz entender que Deus têm que
fazer sinais para ser Deus, a fé nos revela Deus mesmo sem vermos coisas
sobrenaturais, a presença dele é suficiente para crer em sua existência e
poder.
Concluindo, é necessário
entendermos que Cristo cortará a árvore que não der fruto e a lançará no fogo.
Como novo povo de Deus precisamos frutificar em Cristo, manifestando as
virtudes desse fruto. Não é fácil diante de tantas heresias e seitas que
adentram na Igreja do Senhor, mas a fé em Deus nos ajudará em nossas fraquezas
e lançaremos esses “montes” para longe do Evangelho puro de Cristo.
*Pastor na Igreja Batista Sinai em Ubatã-Ba; Bacharel em
Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Nordeste – STBNe – Feira de
Santana-Ba; Graduando em Psicologia pela União Metropolitana de Educação e
Cultura – UNIME – Itabuna-Ba.