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24 julho 2011

Momento de Fé- Pr. Jeftá Costa


Pr. Jeftá Alves Costa* – Igreja Batista Sinai
A FIGUEIRA E A IGREJA
Mateus 21.18-22[1]
18 De manhã, ao voltar à cidade, teve fome; 19 e, avistando uma figueira à beira do caminho, apro-ximou-se dela e achou somente folhas; então lhe disse: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente. 20 Quando os discípulos vi-ram isso, perguntaram admirados: Como a figuei-ra secou assim, de imediato? 21 Jesus, porém, lhes
respondeu: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se disserdes a este monte: Ergue-te, e lança-te no mar, isso será feito; 22 e tudo o que pedirdes em oração, crendo, recebereis.

A Igreja de Cristo hodierna está cada vez mais distante daquilo que Ele quer, uma vida como Ele viveu. A hipocrisia e o orgulho tem sobreposto a fé no Filho de Deus. Diante dessas inquietações surgiu essa meditação bíblica.

A figueira é uma árvore frutífera muito comum em Israel cujo a colheita é feita duas vezes no ano: Os primeiros figos maduros, ou figos temporãos amadurecem em junho ou no começo de julho e os figos serôdios, que crescem no lenho novo e constituem a safra principal, amadurecendo em geral a partir de agosto. Interessante na figueira é que normalmente as árvores dão folhas e depois frutos, ela faz o contrário primeiro vêm os frutos e depois as folhas. A figueira infrutífera do texto em destaque é Israel. Ela não tem os frutos que Deus esperava. Esse milagre destaca a decepção de Cristo com Israel, que o rejeitou, então Deus escolheu um novo povo para substituir Israel. Nós somos esse novo povo, “fomos chamados das trevas para a maravilhosa luz de Cristo.”[2]

A aparência sem resultado, as folhas sem os frutos, que no caso da figueira devia vir antes, mostra a hipocrisia de Israel que se diziam povo de Deus, mas não frutificavam. Infelizmente muitos que fazem parte do novo povo de Deus, o Israel espiritual, têm caminhado pelo mesmo caminho da hipocrisia de Israel. São aparentemente frutíferos, as folhas estão à vista (Templos bonitos, Igrejas superlotadas, “poder” do Espírito Santo), mas os frutos não aparecem.

Muitos pensam que ser frutífero é encher a Igreja de almas para Cristo, isso faz parte de uma vida frutífera, mas o fruto que Deus espera de nós é o fruto do Espírito que está em Gálatas 5.22 e 23: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio.” Muitas Igrejas “inchadas”, mas não buscam uma vida de sinceridade diante de Deus, querem poder, cura, libertação, solução imediata, porém não demostra nenhuma virtude do fruto do Espírito Santo. Não nos esqueçamos de que Cristo amaldiçoou a figueira infrutífera e assim também fará com a Igreja infrutífera conforme Mateus 7.22 e 23: “Naquele dia, muitos me dirão: Senhor, Senhor, nós não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios? Em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais o mal.”

Jesus aproveita a situação para ensinar aos discípulos que ritos religiosos não são importantes mediante a fé. Alguns estudiosos sugerem que o monte do qual Jesus falou no v. 21 simbolizava o monte Sião, onde ficava o Templo. De lá vinha todos os ritos para que Deus fosse adorado, atendesse orações, perdoasse pecados, ou seja, os ritos religiosos.

A figueira simboliza Israel, como dito antes, tradição e religiosidade apenas, mas rejeita o Messias e é amaldiçoado. Quantas Igrejas hodiernas estão apegadas mais a ritos, religiosidade e se esquecem do mais importante, Cristo. O monte da religiosidade é demasiadamente pesado para retirarmos de nossas Igrejas, mas se tivermos fé em Cristo poderemos dizer a este monte ergue-te e lança-te no mar. A religiosidade nos afasta de Deus e nos torna infrutíferos. A fé nos aproxima de Deus: Hebreus 11.1, 6 “A fé é a garantia do que se espera e a prova do que não se vê.(...) Sem fé é impossível agradar a Deus, pois é necessário que quem se aproxima de Deus creia que Ele existe e recompensa os que o buscam.”

Ao nos despirmos da religiosidade e vivermos pela fé em Cristo, diremos como o Apóstolo Paulo em Gálatas 2.20: “Portanto, não sou mais eu quem vive, mas é Cristo quem vive em mim. E essa vida que vivo agora no corpo, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” Essa fé no Filho de Deus nos faz crê que todas as coisas são possíveis e que tudo que for pedido Ele vai conceder na sua soberana vontade.

Queridos leitores, a fé em Cristo nos faz crer no impossível e não somente isso, pela fé devemos viver longe da hipocrisia que nos torna infrutíferos. A religiosidade é um perigo para fé, pois deixamos de crer em Jesus para crer em seres humanos que se dizem poderosos, para crer em amuletos sagrados (copo de água, sal grosso, lenço suado, sopros, por ai vai), a religiosidade nos faz entender que Deus têm que fazer sinais para ser Deus, a fé nos revela Deus mesmo sem vermos coisas sobrenaturais, a presença dele é suficiente para crer em sua existência e poder.

Concluindo, é necessário entendermos que Cristo cortará a árvore que não der fruto e a lançará no fogo. Como novo povo de Deus precisamos frutificar em Cristo, manifestando as virtudes desse fruto. Não é fácil diante de tantas heresias e seitas que adentram na Igreja do Senhor, mas a fé em Deus nos ajudará em nossas fraquezas e lançaremos esses “montes” para longe do Evangelho puro de Cristo.

*Pastor na Igreja Batista Sinai em Ubatã-Ba; Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Nordeste – STBNe – Feira de Santana-Ba; Graduando em Psicologia pela União Metropolitana de Educação e Cultura – UNIME – Itabuna-Ba.



[1] BÍBLIA, Português. Bíblia Almeida Século 21. São Paulo: Edições Vida Nova, 2008. A mesma tradução é usada nas demais referencias bíblicas.
[2] Paráfrase de 1ª Pedro 2.9b